Clube do Vinho

CHAMPAGNE

“O champagnenas vitórias é merecido, nas derrotas é necessário” (Napoleão Bonaparte) 

 

O champagne é o mais famoso dos espumantes – espécie de vinho que contém uma boa quantidade de gás carbônico em sua composição, que faz com que o vinho ganhe bolhas (perlage), formando espuma na sua superfície. 

 

É o vinho das comemorações, sinônimo de festas. Conta-se que o Shah Reza Palahvi, em 1971, ao comemorar os 2500 anos do império Persa, serviu champagne Veuve Clicquot, safra 1911, em um suntuoso jantar. Esse foi servido os milhares de convidados, em tendas refrigeradas especialmente montadas para a celebração. Na ocasião, um champagne com 60 anos!

 

Champagne é um espumante, mas apenas os espumantes produzidos na região de Champagne, na França (145 km a nordeste de Paris), podem usar o termo champagne – mesmo na França, em outras regiões eles são chamados de crémant. Portanto, espumante é um gênero do qual o champagne é uma espécie (não se toma champagne brasileiro, espanhol, chileno etc, mas sim espumante).

 

O champagne é produzido a partir de três uvas: a branca chardonnay (dá a elegância, o frescor), pinot noir (responsável pela estrutura, corpo e longevidade) e pinot meunier (gera a maciez, harmonizando as outras duas uvas). Quando o Champagne é produzido apenas com uvas brancas (chardonnay), é denominado Blanc de Blancs; quando a produção é toda feita com as duas uvas tintas, o Champagne é reconhecido como Blanc de Noirs.

 

O champagne é sempre pelo método champenoise. Esse processo de produção, também conhecido como clássico ou tradicional, foi desenvolvido na França e é utilizado em outras regiões do mundo, produzindo um espumante de melhor qualidade. 

 

De uma maneira simplista, podemos dizer que, com a primeira fermentação, efetuada em grandes tonéis (tanques), elabora-se um vinho branco comum (vinho base). Sobre esse vinho é adicionado um licor de tiragem (uma mistura de vinho, açúcar de uvas e leveduras [microoganismos que se formam na pele da uva e convertem o açúcar da uva em álcool etílico e gás carbônico]). Em seguida, esse vinho é engarrafado. 

 

Como foi adicionado o licor de tiragem, esse vinho terá uma nova fermentação. Essa segunda fermentação ocorrerá dentro da garrafa.

 

Como resultado dessa fermentação, são formadas dentro das garrafas borras (pequenos sedimentos oriundos das leveduras que realizam a fermentação). Para impedir que esses sedimentos se fixem na lateral das garrafas, estas são postas de cabeça para baixo em prateleiras com furos inclinados, chamadas pupitres. Passam por um trabalho chamado remuage, que consiste em girar as garrafas manualmente – aproximadamente ¼ de volta – uma a uma, todos os dias, até que os resíduos (borras ou sedimentos) da segunda fermentação se concentrem junto ao gargalo. Para se ter uma idéia, um profissional pode manusear 30.000 garrafas por dia. 

                                                                    

             Pupitres e Remuage                                                                                        Sedimentos na garrafa

Após a decantação desses sedimentos, a garrafa, de cabeça para baixo, é imersa em um líquido a -10° C / -20° C, que congela a parte do espumante onde estão os sedimentos. Destampa-se a garrafa, e a parte congelada é expulsa, devido a diferença de pressão interna e externa.

 

Como houve perda de volume devida a expulsão do líquido, é adicionada uma mistura de vinhos chamada licor de expedição, que geralmente é composto pelo próprio espumante e açúcar em quantidade específica que determina o tipo de produto. Essa quantidade de açúcar é que irá determinar o tipo de espumante: a) Extra-Brut, Brut Zéro ou Nature: 0 g/l (não leva licor de expedição); b) brut: 1-15 g/l; c) Extra-dry: 12-20 g/l; d) sec:17-35 g/l; e) demi-sec: 33-50 g/l; f) Doux: >50) g/l. Por último é só fechar a garrafa e beber. 

 

Saudações enológicas.

 

Welington Andrade.